Café pode ajudar o coração

Um novo estudo internacional trouxe boas notícias para quem é apaixonado por café — e especialmente para quem convive com arritmias cardíacas. A pesquisa DECAF, apresentada no congresso da American Heart Association (AHA) 2025 e publicada no periódico JAMA, mostrou que o consumo moderado da bebida pode reduzir o risco de arritmias em pessoas com fibrilação atrial.

O Brasil é um dos países que mais consome café no mundo. Para grande parte dos brasileiros, a bebida faz parte da rotina, do trabalho, das pausas e até dos momentos de bem-estar. Justamente por essa presença tão forte no dia a dia, qualquer estudo relacionado ao café e à saúde do coração chama atenção.

O DECAF Trial foi o primeiro estudo clínico desenhado especificamente para avaliar o impacto do café cafeinado em pacientes com fibrilação atrial (FA) que passaram por cardioversão elétrica — um procedimento utilizado para restaurar o ritmo normal do coração.

Participaram 200 pacientes, divididos em dois grupos:

  • Grupo 1: manteve o consumo habitual de café (pelo menos 1 xícara por dia).
  • Grupo 2: evitou totalmente café e outras fontes de cafeína por seis meses.

O resultado surpreendeu até especialistas: A recorrência de arritmias foi menor entre quem continuou tomando café. Isso representa uma redução de 39% no risco entre os que continuaram bebendo café — sem aumento de eventos graves como AVC, infarto ou insuficiência cardíaca. Em outras palavras: o café não só não piorou a arritmia, como se mostrou potencialmente protetor.

Por que o café pode ajudar o coração?O café é uma bebida complexa, rica em compostos bioativos. Entre eles, a cafeína é o componente mais conhecido — e um dos mais estudados.

Os pesquisadores destacam alguns possíveis mecanismos de proteção:

  • A cafeína bloqueia receptores de adenosina, substância que pode facilitar arritmias quando está em excesso.
  • O café possui ação anti-inflamatória e antioxidante, favorecendo a saúde cardiovascular como um todo.
  • Pessoas que bebem café tendem a ter maior nível de atividade física, o que reduz o risco de FA.
  • A bebida pode contribuir para melhorar o metabolismo e auxiliar no controle da pressão arterial.

Ou seja, o efeito benéfico parece ser resultado de uma combinação de fatores metabólicos e comportamentais.

O que dizem as diretrizes médicas?As recomendações atuais das sociedades cardiológicas europeia e americana já apontavam que o consumo moderado de café — de 3 a 4 xícaras por dia — não aumenta o risco de arritmias. Em alguns casos, ele pode até ajudar. As diretrizes também reforçam que não existe motivo científico para proibir café a pessoas com fibrilação atrial, exceto em casos individuais de intolerância ou sensibilidade.

O estudo DECAF reforça uma ideia cada vez mais presente na ciência: O café, quando consumido de forma equilibrada, pode fazer parte de uma vida mais saudável, inclusive para o coração.

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